Existe uma diferença que pouca gente sabe perceber entre quando uma pessoa dá um riso e um sorriso. Um riso é muito mais comum que um sorriso.
O primeiro, podemos ver sempre nas pessoas. O segundo, é artigo em extinção.
Um riso é remédio, como diria o ditado. Muitas vezes é sincero, mas pode ser apenas externo, feito para demonstrar simpatia, aprovação ou contentamento, mesmo quando nossa alma está em frangalhos. A gargalhada manifesta graça por algo que se diz ou que se escuta, o riso é a manifestação externa do que pensamos naquele momento. É fácil rir, é fácil retribuir uma risada. Em alguns casos, o riso é uma boa moeda de troca; em outros, uma saída rápida. O mais deprimido de todos pode dar uma boa risada enquanto lê uma piada engraçada ou se um amigo lhe disser uma grande besteira. O riso é estado de satisfação, mesmo que momentanea ou menos sincera.
Já um sorriso não; o sorriso é um espelho do estado da alma. Quando uma pessoa sorrí, todo seu corpo sorrí ao mesmo tempo, porque é sua alma - e não sua face - quem está sorrindo. Quando alguém sorrí do outro lado do telefone, nós sabemos mesmo sem ver; se alguém sorrí para você quando você está abatido, esse sorriso aquecerá sua alma e dará forças para que você se levante. Quando vê um amigo que não vê a anos, você sorrí por sentir tanta alegria. Os pais sorriem para as crianças que caem em seus primeiros passos; os animais sorriem quando ganham um afago do dono; os amigos sorriem porque nos preocupamos demais com algo que fatalmente perceberemos que é uma besteira enorme.
Um sorriso acalenta a alma e mostra nossos sentimentos.
O riso alegra um dia e alivia um ambiente.
Na verdade, não paramos para prestar atenção nessa diferença porque geralmente nós não paramos para conhecer as pessoas que estão conosco. Somos capazes de conviver toda uma vida com pessoas sem que vejamos um sorriso em seus rostos, ou que possamos identificá-lo. Mas basta pensar em você mesmo para perceber: quando você beija o amor da sua vida, você rí?
...ou você sorrí?
sexta-feira, março 31
quarta-feira, março 29
Meu voto é nulo
- O que esperar de um país como o Brasil?
- Que "país do futuro" se submete aos desmandos das elites financeiras?
Essas duas perguntas tenho me feito a dias, com toda essa movimentação de sai ministro Palocci, entra ministro Mantega. Mas ficou muito mais forte de ontem para cá.
Eu assisto o Bom Dia Brasil diariamente e quase soltei fogos de artifício quando escutei o Ministro Mantega dizendo que é precisamos lidar de forma civilizada com a nossa política monetária - sobretudo as taxas de juros indecentes. Cheguei a pensar "Nossa, será que aos 45 minutos do segundo tempo a coisa vai começar a mudar de verdade???".
Ledo engano de uma sonhadora.
É vergonhoso pensar que eu votei em um candidato que me dizia que ia mudar tudo, e que chega lá e edita uma medida provisória pra distribuir poderes na melhor forma maquiavélica de "dividir para conquistar": dividir o poder entre várias pessoas faz com que a instabilidade seja diluída igualmente. Dar o poder a um banqueiro e praticamente desautorizar um ministro recém-empossado não é o que esperava de um operário-sofredor-que-chegou-lá. Minha indignação não tem fim. Estava conversando ontem exatamente sobre ser impossível separar economia do tradicional problema de classes, e no Brasil esse problema - tal como o modelinho neoliberal imposto e bem aceito - é, na prática, completamente ignorado como se a economia pudesse melhorar só porque o mercado financeiro quer (aliás, não me lembro do mercado financeiro querer melhorar nada, trabalham apenas no ditado "A farinha é pouca? Meu pirão primeiro!").
E, por tudo isso e por pensar que as alternativas que tenho são votar no PMDB, no PSDB ou no PFL (infelizmente, o resto todo é irrisório ainda), é que meu voto até agora é nulo. É desesperador para uma pessoa que acompanha, com real interesse, o desenvolvimento de seu país pensar que todas as alternativas são essas. Difícil engolir Garotinho, Alckmin e sua trupe. Ou votamos em populistas, ou votamos em versões modernas dos antigos coronéis.
Mas também me recuso a votar em um dos "menos pior" de todos. Me recuso a acreditar que tudo vai mudar se eu votar de novo no Lula - e espero que, aqueles que confiaram no FHC para o segundo mandato, não cometam o mesmo erro. Ao meu ver, já foi mais que provado que Lula não tem o mínimo interesse em mudar um país - desde que continue andando de jatinho, usando ternos caros e conhecendo o mundo, nada mais importa.
Olhar para o horizonte e não ver pespectiva de uma efetiva justiça social e de um governo realmente interessado em resolver todos os problemas (que não são poucos) de um país de dimensões continentais é, no mínimo, angustiante. Pensar que é em vão tudo o que alguns grupos e minorias fazem para melhorar algo no país do Mensalão e da impunidade é realmente um desalento.
São nessas horas que me envergonho de ser brasileira. Se fosse na Argentina, o mais leve de todos os protestos seria um forte panelaço. Mas como o JK levou Brasilia pra longe...
- Que "país do futuro" se submete aos desmandos das elites financeiras?
Essas duas perguntas tenho me feito a dias, com toda essa movimentação de sai ministro Palocci, entra ministro Mantega. Mas ficou muito mais forte de ontem para cá.
Eu assisto o Bom Dia Brasil diariamente e quase soltei fogos de artifício quando escutei o Ministro Mantega dizendo que é precisamos lidar de forma civilizada com a nossa política monetária - sobretudo as taxas de juros indecentes. Cheguei a pensar "Nossa, será que aos 45 minutos do segundo tempo a coisa vai começar a mudar de verdade???".
Ledo engano de uma sonhadora.
É vergonhoso pensar que eu votei em um candidato que me dizia que ia mudar tudo, e que chega lá e edita uma medida provisória pra distribuir poderes na melhor forma maquiavélica de "dividir para conquistar": dividir o poder entre várias pessoas faz com que a instabilidade seja diluída igualmente. Dar o poder a um banqueiro e praticamente desautorizar um ministro recém-empossado não é o que esperava de um operário-sofredor-que-chegou-lá. Minha indignação não tem fim. Estava conversando ontem exatamente sobre ser impossível separar economia do tradicional problema de classes, e no Brasil esse problema - tal como o modelinho neoliberal imposto e bem aceito - é, na prática, completamente ignorado como se a economia pudesse melhorar só porque o mercado financeiro quer (aliás, não me lembro do mercado financeiro querer melhorar nada, trabalham apenas no ditado "A farinha é pouca? Meu pirão primeiro!").
E, por tudo isso e por pensar que as alternativas que tenho são votar no PMDB, no PSDB ou no PFL (infelizmente, o resto todo é irrisório ainda), é que meu voto até agora é nulo. É desesperador para uma pessoa que acompanha, com real interesse, o desenvolvimento de seu país pensar que todas as alternativas são essas. Difícil engolir Garotinho, Alckmin e sua trupe. Ou votamos em populistas, ou votamos em versões modernas dos antigos coronéis.
Mas também me recuso a votar em um dos "menos pior" de todos. Me recuso a acreditar que tudo vai mudar se eu votar de novo no Lula - e espero que, aqueles que confiaram no FHC para o segundo mandato, não cometam o mesmo erro. Ao meu ver, já foi mais que provado que Lula não tem o mínimo interesse em mudar um país - desde que continue andando de jatinho, usando ternos caros e conhecendo o mundo, nada mais importa.
Olhar para o horizonte e não ver pespectiva de uma efetiva justiça social e de um governo realmente interessado em resolver todos os problemas (que não são poucos) de um país de dimensões continentais é, no mínimo, angustiante. Pensar que é em vão tudo o que alguns grupos e minorias fazem para melhorar algo no país do Mensalão e da impunidade é realmente um desalento.
São nessas horas que me envergonho de ser brasileira. Se fosse na Argentina, o mais leve de todos os protestos seria um forte panelaço. Mas como o JK levou Brasilia pra longe...
terça-feira, março 28
Somos pássaros
As pessoas estão carentes, mais carentes do que nunca. Não passando por privações materiais, não carentes de dinheiro ou de bens, mas carentes de carinho, atenção, amizade, amor. Por todo lugar onde olhemos, encontramos pessoas desesperadamente carentes de afeto, em todas as suas formas e nuances. Precisamos de pessoas que caminhem juntos de nós.
As pesssoas estão carentes de alegrias. Por onde elas passam, o que encontram são problemas 'insolúveis' aguardando solução, pessoas precisando de favores e depois abandonando-as, tristezas profundas aguardando o esquecimento. Olham para o horizonte e, cada dia mais, tentam se conformar que o futuro não há de ser nada além daquilo; todas as esperanças e aquele sentimento de que 'somos muito especiais' e que 'vamos fazer a diferença' se foram, e em seu lugar fica o olhar triste e calejado de quem passa a acreditar que aquilo tudo foi uma ilusão de infância. As pessoas estão carentes de pessoas. Mas não de pessoas numericamente falando, mas de pessoas humanas ao seu lado, com sentimentos semelhantes, de amigos sinceros, de amores verdadeiros.
A sociedade exige e nós cumprimos: tudo parece que fica estagnado num oceano tranquilo, sem ondas, numa calmaria sem fim - no entanto, só ela mesma é quem conhece as correntezas que passam no lugar mais profundo, naquele cantinho escondido entre corais e tanta vida marinha. Ela sabe que dentro dela tudo é diferente, e por mais que seu externo aparente ser uma pessoa digna de causar olhares admirados ou mesmo inveja, em seu interior existe um turbilhão de sentimentos, de angústias e de mágoas. E assim criamos uma parede para nos proteger - afinal, no final das contas, não queremos ser conhecidos pelo que somos no interior.
Em uma vida quase claustrofóbica, nos recolhemos dentro de uma casca, tal como a tartaruga que, com medo, se esconde... não queremos ser atingidos por mais nada, apenas queremos ficar em nossos cantos... enquanto, intimamente, ficamos rezando todos os dias para que alguém venha e abra à força a casca, que a tire de lá e que mostre que o mundo realmente é aquilo que sempre se acreditou que fosse - e que as pessoas são boas.
De toda essa carência, de todo esse recolhimento, nascem relacionamentos transtornados. Amigos que invadem, amores que dependem, contatos que sugam. Famílias que usam-lhe de muletas, inimigos que acabam se encontrando no rival e multidões inteiras de solitários lado a lado.
Mas, na verdade, nós somos pássaros ensinados que ser tartaruga é o que é bom. E o que se faz hoje em dia é cortar a própria asa, e cortar a asa das pessoas ao nosso redor, para que nenhum vôe. Todos devem fincar seus pés no solo e inventar uma casca para ficar parecido com a tartaruga, e assim ter a segurança de estar em terra firme.
Mas, em nosso interior, sabemos que somos pássaros. Devemos voar. Os tombos fazem parte de tudo, e é o que dão prazer maior, pois o gosto da vitória é indescritível. Sabemos que para sermos feliz, devemos voar, e voar juntos. E para voar junto, devemos estar livres - jamais no solo, dentro de uma casca, mas sim tendo nossas asas em perfeito estado, abandonando a segurança do solo, chegando em um penhasco e pulando. Apenas tendo a certeza que nossas asas irão suportar nosso vôo e arriscando os primeiros tombos é que nossas asas ficarão fortes, e é nesse momento em que passaremos a planar não com o desespero das asas cortadas, mas com a elegância de quem já passou pelo pior.
Agora com licença que vou ver se as minhas penas, que aparei a tempos atrás, cresceram mais um pouco.
As pesssoas estão carentes de alegrias. Por onde elas passam, o que encontram são problemas 'insolúveis' aguardando solução, pessoas precisando de favores e depois abandonando-as, tristezas profundas aguardando o esquecimento. Olham para o horizonte e, cada dia mais, tentam se conformar que o futuro não há de ser nada além daquilo; todas as esperanças e aquele sentimento de que 'somos muito especiais' e que 'vamos fazer a diferença' se foram, e em seu lugar fica o olhar triste e calejado de quem passa a acreditar que aquilo tudo foi uma ilusão de infância. As pessoas estão carentes de pessoas. Mas não de pessoas numericamente falando, mas de pessoas humanas ao seu lado, com sentimentos semelhantes, de amigos sinceros, de amores verdadeiros.
A sociedade exige e nós cumprimos: tudo parece que fica estagnado num oceano tranquilo, sem ondas, numa calmaria sem fim - no entanto, só ela mesma é quem conhece as correntezas que passam no lugar mais profundo, naquele cantinho escondido entre corais e tanta vida marinha. Ela sabe que dentro dela tudo é diferente, e por mais que seu externo aparente ser uma pessoa digna de causar olhares admirados ou mesmo inveja, em seu interior existe um turbilhão de sentimentos, de angústias e de mágoas. E assim criamos uma parede para nos proteger - afinal, no final das contas, não queremos ser conhecidos pelo que somos no interior.
Em uma vida quase claustrofóbica, nos recolhemos dentro de uma casca, tal como a tartaruga que, com medo, se esconde... não queremos ser atingidos por mais nada, apenas queremos ficar em nossos cantos... enquanto, intimamente, ficamos rezando todos os dias para que alguém venha e abra à força a casca, que a tire de lá e que mostre que o mundo realmente é aquilo que sempre se acreditou que fosse - e que as pessoas são boas.
De toda essa carência, de todo esse recolhimento, nascem relacionamentos transtornados. Amigos que invadem, amores que dependem, contatos que sugam. Famílias que usam-lhe de muletas, inimigos que acabam se encontrando no rival e multidões inteiras de solitários lado a lado.
Mas, na verdade, nós somos pássaros ensinados que ser tartaruga é o que é bom. E o que se faz hoje em dia é cortar a própria asa, e cortar a asa das pessoas ao nosso redor, para que nenhum vôe. Todos devem fincar seus pés no solo e inventar uma casca para ficar parecido com a tartaruga, e assim ter a segurança de estar em terra firme.
Mas, em nosso interior, sabemos que somos pássaros. Devemos voar. Os tombos fazem parte de tudo, e é o que dão prazer maior, pois o gosto da vitória é indescritível. Sabemos que para sermos feliz, devemos voar, e voar juntos. E para voar junto, devemos estar livres - jamais no solo, dentro de uma casca, mas sim tendo nossas asas em perfeito estado, abandonando a segurança do solo, chegando em um penhasco e pulando. Apenas tendo a certeza que nossas asas irão suportar nosso vôo e arriscando os primeiros tombos é que nossas asas ficarão fortes, e é nesse momento em que passaremos a planar não com o desespero das asas cortadas, mas com a elegância de quem já passou pelo pior.
Agora com licença que vou ver se as minhas penas, que aparei a tempos atrás, cresceram mais um pouco.
Voltando
Decidí voltar a escrever aqui.
A decisão simplesmente é porque o blog vai muito além da terapia, ele é uma forma de você colocar à mostra as coisas que precisam ser ditas.
Então... estou de volta. :)
A decisão simplesmente é porque o blog vai muito além da terapia, ele é uma forma de você colocar à mostra as coisas que precisam ser ditas.
Então... estou de volta. :)
segunda-feira, dezembro 26
Feliz Natal!!!
Não, este não é um post de natal atrasado, porque acredito que comemoramos o Natal o ano inteiro.
Para os cristãos, ontem foi Natal. Para os judeus, Chanuká. Para os pagãos, foi solstício. Não importa. O mais bonito de tudo é quando percebemos que todas as religiões são apenas uma só. Tudo é uno. Deus é único. Todas as crenças são apenas uma. E todas são lindas. E todas os natais, festas santas e tudo o mais tem a mesma finalidade - no mesmo ou em outro dia.
É quando aprendemos que Deus é único - mas se veste de muitas formas. E descobrimos o significado da palavra Onipresença.
Portanto, feliz Natal, Yule, Chanuká, etc. E que o(s) seu(s) Deus(es) lhe ilumine!
Para os cristãos, ontem foi Natal. Para os judeus, Chanuká. Para os pagãos, foi solstício. Não importa. O mais bonito de tudo é quando percebemos que todas as religiões são apenas uma só. Tudo é uno. Deus é único. Todas as crenças são apenas uma. E todas são lindas. E todas os natais, festas santas e tudo o mais tem a mesma finalidade - no mesmo ou em outro dia.
É quando aprendemos que Deus é único - mas se veste de muitas formas. E descobrimos o significado da palavra Onipresença.
Portanto, feliz Natal, Yule, Chanuká, etc. E que o(s) seu(s) Deus(es) lhe ilumine!
segunda-feira, dezembro 19
"Ouse, ouse... ouse tudo!!
Não tenha necessidade de nada!
Não tente adequar sua vida a modelos, nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém.
Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.
Se você quer uma vida, aprenda ... a roubá-la!
Ouse, ouse tudo!
Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer.
Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso: algo que está em nós
e que queima como o fogo da vida!!"
(Lou Salomé)
Não tenha necessidade de nada!
Não tente adequar sua vida a modelos, nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém.
Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.
Se você quer uma vida, aprenda ... a roubá-la!
Ouse, ouse tudo!
Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer.
Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso: algo que está em nós
e que queima como o fogo da vida!!"
(Lou Salomé)
Nossa, a muito tempo que não posto nada por aqui... mas, aparentemente, estou de volta.
A faculdade consumiu completamente meu intelecto esse semestre, para eu dar conta de tanta matéria e de tanta leitura. Pra ter uma noção, apenas em novembro eu tive que ler sete livros. Foi duro, mas sobreviví... apenas em uma matéria não tenho certeza ainda se consegui passar.
Ultimamente eu tenho flertado com a filosofia. Tudo começou porque ganhei um livro de aniversário, o "Quando Nietzsche chorou". Pronto. Paixão à primeira vista. Apenas confirmei que, quando ainda adolescente, pensava em fazer Filosofia (só não o fiz pois gosto demais de dinheiro pra trabalhar em algo não tão bem remunerado).
Mas uma frase que lí recentemente, de Lou Salomé, me tocou particularmente: "Se você quer uma vida, aprenda ... a roubá-la!"
Pronto, se instalou um motivo para uma longa reflexão.
Alguém disse um dia que a nossa vida pertence a Deus. Outro alguém disse que a nossa vida pertence a nós mesmos. Não! Ela não nos pertence enquanto não a roubarmos. Ela pertence ao tempo, até que aprendamos a tê-la em nossas mãos. Precisamos enfrentar o tempo, a sociedade, os ditos e as regras.
Liberdade é andar sobre as regras, e precisamos de coragem para sermos livres. Porque a liberdade nos trás a verdade, e a verdade fere, machuca, amedronta.
Fugindo do clássico, a primeira reflexão que fiz sobre isso foi com Renato Russo: "Quem pensa por sí mesmo é livre, e ser livre é coisa muito séria". Filosofia para adolescentes? Talvez.
Mas só quem é livre sabe o quanto é sério, perigoso, assustador e cansativo sê-lo.
A faculdade consumiu completamente meu intelecto esse semestre, para eu dar conta de tanta matéria e de tanta leitura. Pra ter uma noção, apenas em novembro eu tive que ler sete livros. Foi duro, mas sobreviví... apenas em uma matéria não tenho certeza ainda se consegui passar.
Ultimamente eu tenho flertado com a filosofia. Tudo começou porque ganhei um livro de aniversário, o "Quando Nietzsche chorou". Pronto. Paixão à primeira vista. Apenas confirmei que, quando ainda adolescente, pensava em fazer Filosofia (só não o fiz pois gosto demais de dinheiro pra trabalhar em algo não tão bem remunerado).
Mas uma frase que lí recentemente, de Lou Salomé, me tocou particularmente: "Se você quer uma vida, aprenda ... a roubá-la!"
Pronto, se instalou um motivo para uma longa reflexão.
Alguém disse um dia que a nossa vida pertence a Deus. Outro alguém disse que a nossa vida pertence a nós mesmos. Não! Ela não nos pertence enquanto não a roubarmos. Ela pertence ao tempo, até que aprendamos a tê-la em nossas mãos. Precisamos enfrentar o tempo, a sociedade, os ditos e as regras.
Liberdade é andar sobre as regras, e precisamos de coragem para sermos livres. Porque a liberdade nos trás a verdade, e a verdade fere, machuca, amedronta.
Fugindo do clássico, a primeira reflexão que fiz sobre isso foi com Renato Russo: "Quem pensa por sí mesmo é livre, e ser livre é coisa muito séria". Filosofia para adolescentes? Talvez.
Mas só quem é livre sabe o quanto é sério, perigoso, assustador e cansativo sê-lo.
sexta-feira, outubro 21
Eu escrevo
Eu escrevo não para mostrar pensamentos
Mas para mostrar quem sou
Para expurgar sentimentos
Para sentir em que lua estou
Eu escrevo não para ganhar elogio ou aprovação
Mas para jogar no ar palavras
Para deixar tudo às claras
Para mostrar meu coração
Eu escrevo não para pessoas conquistar
Mas para levar idéias para além-mar
Para atrair outras almas e para aproximar
E para dividir meu pesar
Mas eu escrevo, antes de tudo,
para mais me amar.
Mas para mostrar quem sou
Para expurgar sentimentos
Para sentir em que lua estou
Eu escrevo não para ganhar elogio ou aprovação
Mas para jogar no ar palavras
Para deixar tudo às claras
Para mostrar meu coração
Eu escrevo não para pessoas conquistar
Mas para levar idéias para além-mar
Para atrair outras almas e para aproximar
E para dividir meu pesar
Mas eu escrevo, antes de tudo,
para mais me amar.
quinta-feira, outubro 13
Quem você seria?
Se você estivesse sozinho
Numa encruzilhada, sem placa ou mapa,
Que direção tomaria?
Se você estivesse em um deserto
No meio do nada, sem horizonte,
Como sairia de lá?
E se você estivesse à deriva
No meio do mar, sem ninguém pra olhar,
Como sobreviveria?
E se você estivesse no meu lugar,
Sem motivo nem festa, se nada resta,
Que alegria teria no olhar?
O que você faria no meu lugar
Além de querer que o tempo passe depressa?
Além de pensar que vida é essa
que abandona a gente
No meio da estrada, deserto ou floresta,
Sem farol, sem radar, sem sinal,
sem nada pra te guiar?
Quem você seria, no meu lugar?
Numa encruzilhada, sem placa ou mapa,
Que direção tomaria?
Se você estivesse em um deserto
No meio do nada, sem horizonte,
Como sairia de lá?
E se você estivesse à deriva
No meio do mar, sem ninguém pra olhar,
Como sobreviveria?
E se você estivesse no meu lugar,
Sem motivo nem festa, se nada resta,
Que alegria teria no olhar?
O que você faria no meu lugar
Além de querer que o tempo passe depressa?
Além de pensar que vida é essa
que abandona a gente
No meio da estrada, deserto ou floresta,
Sem farol, sem radar, sem sinal,
sem nada pra te guiar?
Quem você seria, no meu lugar?
segunda-feira, outubro 3
A beleza das coisas
Sábado. Depois de muitos dias de tempo encoberto e chuva no Rio de Janeiro, acordei e tinha um sol maravilhoso, do jeito que todo carioca gosta.
No caminho entre Centro e Botafogo, comecei pensando sobre a imensa preguiça e cansaço que eu sentia. Mas depois, comecei a reparar nas pessoas caminhando no aterro e me dei conta de um erro que vinha comentendo apesar de exercitar para não fazê-lo: não ver a beleza das coisas.
Até hoje me lembro de quando vi pela primeira vez o Aterro do Flamengo, a Praia de Botafogo, quando caminhei sozinha pela primeira vez em Copacabana. Eu, criança, fiquei encantada com toda a beleza que - incrível - sempre esteve tão perto de mim, que morava na zona norte da mesma cidade, mas até então nunca tinha visto ao vivo a Lagoa iluminada à noite.
Hoje, que moro e trabalho próximo a tudo isso, parei de reparar nessa beleza toda. Trabalhar vendo da janela o Pão de Açucar, tendo o Cristo Redentor do outro lado, já não me faz parar para ficar admirando.
Conviver com essa beleza toda, que sutilmente nos lembra que Deus existe, já não chamava mais atenção do que minha rotina desgastante, e eu já não admiro diariamente o que pessoas do mundo todo pagam rios de dinheiro para conhecer. Até que eu tive esse estalo.
E me dei conta que, como tudo, o ser humano se acostuma ao que é bom e acha que é pouco, ou simplesmente ignora o que é bom, para se concentrar em coisas que não o são. É assim com aquela filha que tem tudo o que os pais podem dar e acham pouco, a moça que tem um namorado perfeito mas que ainda assim está insatisfeita "achando que falta algo", aquele profissional que está fazendo o que gosta e ganhando o que é justo, mas que ainda assim está insatisfeito e quer trocar de emprego...
É dom do ser humano ignorar o belo em detrimento do feio.
É mania nossa trocar o adjetivo pelo verbo.
E, na janela do ônibus, olhei apaixonadamente a lindeza do meu Rio de Janeiro. E prometí a mim mesma não me habituar novamente a deixar de ver a beleza... nem na cidade, nem nas pessoas.
No caminho entre Centro e Botafogo, comecei pensando sobre a imensa preguiça e cansaço que eu sentia. Mas depois, comecei a reparar nas pessoas caminhando no aterro e me dei conta de um erro que vinha comentendo apesar de exercitar para não fazê-lo: não ver a beleza das coisas.
Até hoje me lembro de quando vi pela primeira vez o Aterro do Flamengo, a Praia de Botafogo, quando caminhei sozinha pela primeira vez em Copacabana. Eu, criança, fiquei encantada com toda a beleza que - incrível - sempre esteve tão perto de mim, que morava na zona norte da mesma cidade, mas até então nunca tinha visto ao vivo a Lagoa iluminada à noite.
Hoje, que moro e trabalho próximo a tudo isso, parei de reparar nessa beleza toda. Trabalhar vendo da janela o Pão de Açucar, tendo o Cristo Redentor do outro lado, já não me faz parar para ficar admirando.
Conviver com essa beleza toda, que sutilmente nos lembra que Deus existe, já não chamava mais atenção do que minha rotina desgastante, e eu já não admiro diariamente o que pessoas do mundo todo pagam rios de dinheiro para conhecer. Até que eu tive esse estalo.
E me dei conta que, como tudo, o ser humano se acostuma ao que é bom e acha que é pouco, ou simplesmente ignora o que é bom, para se concentrar em coisas que não o são. É assim com aquela filha que tem tudo o que os pais podem dar e acham pouco, a moça que tem um namorado perfeito mas que ainda assim está insatisfeita "achando que falta algo", aquele profissional que está fazendo o que gosta e ganhando o que é justo, mas que ainda assim está insatisfeito e quer trocar de emprego...
É dom do ser humano ignorar o belo em detrimento do feio.
É mania nossa trocar o adjetivo pelo verbo.
E, na janela do ônibus, olhei apaixonadamente a lindeza do meu Rio de Janeiro. E prometí a mim mesma não me habituar novamente a deixar de ver a beleza... nem na cidade, nem nas pessoas.
segunda-feira, setembro 26
"Não votei porque não votei"
Eu fico impressionada. Tenho evitado ler jornais para não me aborrecer, mas esta foi demais.
Perguntado sobre o porquê de não ter votado nas eleições internas do próprio partido, Lula - o nosso presidente amado - disse sabiamente: "Não votei porque não votei". O tom soava tão importante como se seu sobrinho perguntasse porque você não comeu picolé de limão...
Não sei para vocês mas pra mim tá na cara o porquê... não queria se indispor com nenhum dos lados (nem com o Campo Majoritário, especificamente) e, especialmente, porque quis se colocar acima dessas coisas "mundanas". O PT já é pequeno para ele, agora ele olha como ferramenta o partido. Para não se opor aos "companheiros" e para proteger a própria imagem de arranhões, ele prefere fazer como quem não é com ele???
É incrível como ele ignora solenemente tudo o que está acontecendo. A corja que vendeu o país aos tucanos e aos pefelistas (não sei qual é o pior) está cantando a vitória mais uma vez. Não bastasse as denúncias contra o campo que não era pra ser majoritário a tempos, vem o descaso, como se aquilo pouco importasse. Nossa oposição é suja, o governo está infectado e ele precisa tomar ciência disso e atitudes, principalmente atitudes!!!!
Questiono a política econômica do Lula porque tenho fundamentos que poderíamos estar bem melhores, mas acho que em formas gerais ele faz um bom governo. Mas esse jeito Blazé dele olhar o partido não está combinando. Não dá pra fingir que não é com ele. Não dá pra visualizar uma parede que o deixe tão longe por tanto tempo.
Apenas pra frizar... eu votaria no Lula novamente. Mas ele precisa descer do lustra, sair do pedestal que se colocou para isso. Precisa voltar a estar próximo do povo.
A instituição nacional precisa sim de um líder como ele, mas acontece que precisa também de todo o resto. Precisa de um partido, um congresso, uma nação. Não apenas do líder. E, sinceramente, com o partido, o congresso, a corja-oposição e com a nação que temos, pediria a Deus para ter nascido na Argentina (para vocês verem o tamanho do meu desgosto).
E sobre o PT... graças a Deus eu desisti de me filiar ao PT. Com certeza estaria votando no Pont ou em outro mais radical. Eu, que fui militante na última eleição e fui com camisa, bandeirinha e adesivo do PT, desistí na hora de entregar a ficha.
Sorte... sentiria que meu dinheiro foi jogado fora se não tivesse desistido.
Perguntado sobre o porquê de não ter votado nas eleições internas do próprio partido, Lula - o nosso presidente amado - disse sabiamente: "Não votei porque não votei". O tom soava tão importante como se seu sobrinho perguntasse porque você não comeu picolé de limão...
Não sei para vocês mas pra mim tá na cara o porquê... não queria se indispor com nenhum dos lados (nem com o Campo Majoritário, especificamente) e, especialmente, porque quis se colocar acima dessas coisas "mundanas". O PT já é pequeno para ele, agora ele olha como ferramenta o partido. Para não se opor aos "companheiros" e para proteger a própria imagem de arranhões, ele prefere fazer como quem não é com ele???
É incrível como ele ignora solenemente tudo o que está acontecendo. A corja que vendeu o país aos tucanos e aos pefelistas (não sei qual é o pior) está cantando a vitória mais uma vez. Não bastasse as denúncias contra o campo que não era pra ser majoritário a tempos, vem o descaso, como se aquilo pouco importasse. Nossa oposição é suja, o governo está infectado e ele precisa tomar ciência disso e atitudes, principalmente atitudes!!!!
Questiono a política econômica do Lula porque tenho fundamentos que poderíamos estar bem melhores, mas acho que em formas gerais ele faz um bom governo. Mas esse jeito Blazé dele olhar o partido não está combinando. Não dá pra fingir que não é com ele. Não dá pra visualizar uma parede que o deixe tão longe por tanto tempo.
Apenas pra frizar... eu votaria no Lula novamente. Mas ele precisa descer do lustra, sair do pedestal que se colocou para isso. Precisa voltar a estar próximo do povo.
A instituição nacional precisa sim de um líder como ele, mas acontece que precisa também de todo o resto. Precisa de um partido, um congresso, uma nação. Não apenas do líder. E, sinceramente, com o partido, o congresso, a corja-oposição e com a nação que temos, pediria a Deus para ter nascido na Argentina (para vocês verem o tamanho do meu desgosto).
E sobre o PT... graças a Deus eu desisti de me filiar ao PT. Com certeza estaria votando no Pont ou em outro mais radical. Eu, que fui militante na última eleição e fui com camisa, bandeirinha e adesivo do PT, desistí na hora de entregar a ficha.
Sorte... sentiria que meu dinheiro foi jogado fora se não tivesse desistido.
sexta-feira, setembro 23
Ator da própria vida
Eu "descobri" recentemente que o mundo masculino se divide em dois tipos: homens que assistem e homens que fazem.
Muitos preferem assistir a vida dos outros (e o que os outros fazem de interessante) a fazer a própria vida mais aprazível, divertida, coloria e/ou sensual. Preferem ficar acomodados confortavelmente em seus lugares no cinema assistindo a um filme de aventura, a fazer da própria vida uma aventura. Preferem ver a diversão e a sensualidade na TV e na grama alheia, enquanto permite que a própria grama fique menos verde, mais seca por falta do que tanto admira na dos demais.
Preferem manter a felicidade à distância, a diversão à distância, a paixão à distância, a alegria à distância. Preferem ver seus amigos relatando suas aventuras e suas noitadas, a ir eles próprios à luta, atrás daquilo que querem. Ficam sentados na porta de casa esperando que tudo caia em seus colos, enquanto ficam sentados com a cerveja em uma mão e o controle remoto em outra. Enquanto isso, assistem na TV o que gostariam de ver para sí: a vitória em um jogo de futebol, uma profissão bem resolvida, um filme mais apimentado, uma vida mais interessante que a sua própria.
E enquanto ele fica prostrado vendo tudo isso passar - seja na tv, na janela de casa ou em sua própria cara - estão perdendo um tempo precioso: o de pegar o carro e viajar sem destino, o de jogar o futebol com os amigos, o de viver uma paixão arrebatadora, o de ir "pra night" junto com os "amigos grama-verde"... enfim, perdem o tempo vendo acontecer e invejando (mesmo que seja aquela "invejinha" inofensiva) ao invés de fazer acontecer.
Pensando bem, se trocarem os objetos de cobiça, talvez isso bem que se encaixe no "mundico" feminino também. Temos desejos e anseios diferentes, mas acredito que devemos agir da mesma forma. Mas fica a pergunta... porque não fazer acontecer?
Porque não ser o ator da própria vida?
Muitos preferem assistir a vida dos outros (e o que os outros fazem de interessante) a fazer a própria vida mais aprazível, divertida, coloria e/ou sensual. Preferem ficar acomodados confortavelmente em seus lugares no cinema assistindo a um filme de aventura, a fazer da própria vida uma aventura. Preferem ver a diversão e a sensualidade na TV e na grama alheia, enquanto permite que a própria grama fique menos verde, mais seca por falta do que tanto admira na dos demais.
Preferem manter a felicidade à distância, a diversão à distância, a paixão à distância, a alegria à distância. Preferem ver seus amigos relatando suas aventuras e suas noitadas, a ir eles próprios à luta, atrás daquilo que querem. Ficam sentados na porta de casa esperando que tudo caia em seus colos, enquanto ficam sentados com a cerveja em uma mão e o controle remoto em outra. Enquanto isso, assistem na TV o que gostariam de ver para sí: a vitória em um jogo de futebol, uma profissão bem resolvida, um filme mais apimentado, uma vida mais interessante que a sua própria.
E enquanto ele fica prostrado vendo tudo isso passar - seja na tv, na janela de casa ou em sua própria cara - estão perdendo um tempo precioso: o de pegar o carro e viajar sem destino, o de jogar o futebol com os amigos, o de viver uma paixão arrebatadora, o de ir "pra night" junto com os "amigos grama-verde"... enfim, perdem o tempo vendo acontecer e invejando (mesmo que seja aquela "invejinha" inofensiva) ao invés de fazer acontecer.
Pensando bem, se trocarem os objetos de cobiça, talvez isso bem que se encaixe no "mundico" feminino também. Temos desejos e anseios diferentes, mas acredito que devemos agir da mesma forma. Mas fica a pergunta... porque não fazer acontecer?
Porque não ser o ator da própria vida?
Diálogo
Local: Manoel e Joaquim - Largo do Machado
Cenário: Eu e umas amigas, que me raptaram no corredor do trabalho, para tomar um chopp. Mesa cheia, todas falando sobre besteiras. Depois do sexto chopp, toca o telefone.
- Alô?
- Oi Nina, tudo bem?
- Oi Cesar, tudo legal...
- Tá na faculdade?
- Tou... (!!!)
- Po, tou chegando aí... o cara de EBC vai dar aula?
- Não...
- Espera então que eu tou chegando aí.
- Falou.
Desligo o telefone.
- Garçom, mais um por favor!
... por que diabos eu falei que estava lá não sei. Mas o chopp tava bom. Foi mal Cesar... :P
Cenário: Eu e umas amigas, que me raptaram no corredor do trabalho, para tomar um chopp. Mesa cheia, todas falando sobre besteiras. Depois do sexto chopp, toca o telefone.
- Alô?
- Oi Nina, tudo bem?
- Oi Cesar, tudo legal...
- Tá na faculdade?
- Tou... (!!!)
- Po, tou chegando aí... o cara de EBC vai dar aula?
- Não...
- Espera então que eu tou chegando aí.
- Falou.
Desligo o telefone.
- Garçom, mais um por favor!
... por que diabos eu falei que estava lá não sei. Mas o chopp tava bom. Foi mal Cesar... :P
segunda-feira, setembro 19
I'm melt down
Eu fiz essa música a alguns dias (acho que a um mês atrás), justo no caminho inverso que costumo fazer... primeiro faço a música, depois faço a letra. Essa não... primeiro fiz a letra.
-------------------
Melt down
By the sun, in the morning,
I can feel your skin toutching on me
In the night, I run
but I don't know where to,
but I want to bring you to me
You're in everything...
in the lines that I draw,
in the dreams that I saw,
in the love that I feel...
For you, I melt down!
Where tonight I'll find
another pure soul to love?
When in this life, I'll find
another twin soul to give my heart?
I´ll love you for many years...
You're in everything!
In the lines that I draw,
in the dreams that I saw,
in the love that I felt...
For you, I'm melt down!
-------------------
Melt down
By the sun, in the morning,
I can feel your skin toutching on me
In the night, I run
but I don't know where to,
but I want to bring you to me
You're in everything...
in the lines that I draw,
in the dreams that I saw,
in the love that I feel...
For you, I melt down!
Where tonight I'll find
another pure soul to love?
When in this life, I'll find
another twin soul to give my heart?
I´ll love you for many years...
You're in everything!
In the lines that I draw,
in the dreams that I saw,
in the love that I felt...
For you, I'm melt down!
quinta-feira, setembro 15
Crônica brasileira
Fatinha era a típica moradora de uma grande cidade da região sudeste do Brasil. Acordava todos os dias às quatro e meia da manhã, fazia ginástica até cinco e meia, se arrumava e ia trabalhar. Depois de um dia inteiro de trabalho, ia para casa para o segundo tempo de sua jornada: seu marido e filhos - tinha dois.
Em um final de tarde de quarta-feira como outra qualquer, enquanto começava a se preparar psicologicamente para ir para casa, ela se olhou no espelho e viu em seu rosto suas linhas de expressão. Parou e pensou, em um flash, na sua vida. "Onde minha vida tomou um rumo diferente do que eu planejei?", pensou.
Fatinha sempre sonhou em ser médica mas, porque a grana era curta e porque o tempo era escasso, optou por fazer um curso de enfermagem. Tinha cultura e formação medianas, ainda era jovem e cheia de ideais, mas estes eram suplantados pelo cansaço do dia a dia. Sacudiu a cabeça e decidiu apressar o passo para chegar em casa.
Mal entrou pela porta, lá estava Zé, o marido - estatelado na frente da televisão, com uma cerveja bem em cima da madeira da mesa, assistindo... a CPI do mensalão. Deu boa noite e ia para o quarto, quando o marido gritou para trazer mais uma cerveja e mais petiscos. Olhou torto pensando "...antes era só quando tinha futebol, agora é todo o dia", e já ia para a cozinha, quando os dois meninos entram no quarto como bala, um puxando a orelha do outro e se jogando na cama aos socos.
Sem forças nem para reagir, Fatinha entrega ao marido o que pediu e senta ao seu lado. Quando diz que queria comentar uma coisa sobre seu dia, ele reclama: "Caramba, não tá vendo que tou assistindo a CPI?".
Começou então a rir. Riu freneticamente. Colocou uma saia comprida, pegou uma mochila antiga de seus filhos, colocou meia dúzia de roupas e dinheiro, deu as costas, e bateu a porta.
A última notícia que tive de Fatinha era que tinha se filiado ao PSTU, resolveu fazer faculdade de Filosofia, estava morando próximo a uma aldeia indígena em Roraima e atuando como militante do Greenpeace. E nunca mais voltou.
-----------
(Baseada em histórias e sentimentos reais, Fatinha é uma homenagem à muitas amigas que queriam ter o mesmo fim, mas não puderam - ou não quiseram)
Em um final de tarde de quarta-feira como outra qualquer, enquanto começava a se preparar psicologicamente para ir para casa, ela se olhou no espelho e viu em seu rosto suas linhas de expressão. Parou e pensou, em um flash, na sua vida. "Onde minha vida tomou um rumo diferente do que eu planejei?", pensou.
Fatinha sempre sonhou em ser médica mas, porque a grana era curta e porque o tempo era escasso, optou por fazer um curso de enfermagem. Tinha cultura e formação medianas, ainda era jovem e cheia de ideais, mas estes eram suplantados pelo cansaço do dia a dia. Sacudiu a cabeça e decidiu apressar o passo para chegar em casa.
Mal entrou pela porta, lá estava Zé, o marido - estatelado na frente da televisão, com uma cerveja bem em cima da madeira da mesa, assistindo... a CPI do mensalão. Deu boa noite e ia para o quarto, quando o marido gritou para trazer mais uma cerveja e mais petiscos. Olhou torto pensando "...antes era só quando tinha futebol, agora é todo o dia", e já ia para a cozinha, quando os dois meninos entram no quarto como bala, um puxando a orelha do outro e se jogando na cama aos socos.
Sem forças nem para reagir, Fatinha entrega ao marido o que pediu e senta ao seu lado. Quando diz que queria comentar uma coisa sobre seu dia, ele reclama: "Caramba, não tá vendo que tou assistindo a CPI?".
Começou então a rir. Riu freneticamente. Colocou uma saia comprida, pegou uma mochila antiga de seus filhos, colocou meia dúzia de roupas e dinheiro, deu as costas, e bateu a porta.
A última notícia que tive de Fatinha era que tinha se filiado ao PSTU, resolveu fazer faculdade de Filosofia, estava morando próximo a uma aldeia indígena em Roraima e atuando como militante do Greenpeace. E nunca mais voltou.
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(Baseada em histórias e sentimentos reais, Fatinha é uma homenagem à muitas amigas que queriam ter o mesmo fim, mas não puderam - ou não quiseram)
sexta-feira, setembro 9
Penso, logo questiono
(texto escrito em junho/05)
Talvez eu seja um pouco diferente da maioria das pessoas que conheço. Porque eu sou uma pessoa que pode ser considerada como intransigente quando se fala em aceitar idéias ou conceitos sem questionamento.
O filósofo Renée Descartes disse: "penso, logo existo".
Eu vou além: "penso, logo questiono".
Eu fui o tipo de criança que tudo perguntava o porquê, e se ele não me era dito, isso criava um sentimento de que eu estava sendo feita de idiota. Ou, no mínimo, que era pra eu não saber mesmo por enquanto, por algum motivo.
Jamais aceitei conceitos ou idéias sem que eu mesma fosse experimentar. Seja aquele amigo da faculdade que todos dizem que é fofoqueiro, aquele filme que todos dizem que é ruim, aquele sujeito que todos dizem pra não confiar, ou aquele professor que é muito carrasco com todo mundo, mas sempre foi super gente boa com você. Sempre que me diziam algo, eu fazia questão de ter a certeza dos fatos. Precavia-me, mas jamais aceitei o que me dizem sem que eu questione.
Acreditem: muitas vezes me surpreendi. Aquele fofoqueiro era apenas uma pessoa carente que precisava de uma amizade sincera, o filme era excelente mas o "crítico de plantão" não entendeu o seu sentido, o professor era carrasco mas dava uma aula show de bola e era uma excelente pessoa.
E jamais me permitia aceitar sem verificar ou questionar porque isso sempre me pareceu uma espécie de violência ao meu intelecto, é como se te passassem um atestado de que você não tem capacidade de sacar as coisas sozinha.
E assim, enquanto vivo, penso e questiono. E tiro a minha própria avaliação de cada coisa, com a certeza de não ter sido injusta com nada.
Talvez eu seja um pouco diferente da maioria das pessoas que conheço. Porque eu sou uma pessoa que pode ser considerada como intransigente quando se fala em aceitar idéias ou conceitos sem questionamento.
O filósofo Renée Descartes disse: "penso, logo existo".
Eu vou além: "penso, logo questiono".
Eu fui o tipo de criança que tudo perguntava o porquê, e se ele não me era dito, isso criava um sentimento de que eu estava sendo feita de idiota. Ou, no mínimo, que era pra eu não saber mesmo por enquanto, por algum motivo.
Jamais aceitei conceitos ou idéias sem que eu mesma fosse experimentar. Seja aquele amigo da faculdade que todos dizem que é fofoqueiro, aquele filme que todos dizem que é ruim, aquele sujeito que todos dizem pra não confiar, ou aquele professor que é muito carrasco com todo mundo, mas sempre foi super gente boa com você. Sempre que me diziam algo, eu fazia questão de ter a certeza dos fatos. Precavia-me, mas jamais aceitei o que me dizem sem que eu questione.
Acreditem: muitas vezes me surpreendi. Aquele fofoqueiro era apenas uma pessoa carente que precisava de uma amizade sincera, o filme era excelente mas o "crítico de plantão" não entendeu o seu sentido, o professor era carrasco mas dava uma aula show de bola e era uma excelente pessoa.
E jamais me permitia aceitar sem verificar ou questionar porque isso sempre me pareceu uma espécie de violência ao meu intelecto, é como se te passassem um atestado de que você não tem capacidade de sacar as coisas sozinha.
E assim, enquanto vivo, penso e questiono. E tiro a minha própria avaliação de cada coisa, com a certeza de não ter sido injusta com nada.
Futuro
Eu descobri a alguns dias o porquê de Deus não permitir que a gente saiba o nosso futuro. Não é bem uma descoberta, mas sabe aqueles estalos que você tem de repente?
É simples: é que, às vezes, ele pode ser surpreendente e/ou aterrorizante.
Eu ficaria mais covarde de saber de todos os desafios que passaria, ou mais corajosa de saber que eu venceria a todos eles.
Ficaria desesperada de saber que deixaria minha religião, a qual tinha como a mais perfeita e a verdade absoluta, mas ficaria aliviada de saber que descobriria assim quem realmente sou e que Deus não está na igreja, está em mim.
Choraria por saber das dores que viria a sentir por amor, das tristezas que passaria. Mas sorriria por saber que isso me preparou para momentos muito bons, e quem sabe, para coisas que são tão boas que não acreditaria que existem.
Eu talvez fosse mais reservada por conta das pessoas em que confiei e trairam minha confiança, aquelas que chamei de amigas mas que jamais o foram... mas, por outro lado, talvez fosse mais franca com aqueles que poderia ter ajudado com um simples dizer: "cuidado". E teria aprendido antes a confiar não nas palavras, mas no olhar.
Eu seria menos tensa com aqueles pequenos problemas do dia-a-dia, com aquelas coisas que aborrecem mas que conseguiram exterminar com o meu dia... mas daria mais importância aos pequenos momentos, e teria começado antes a olhar bem no fundo dos olhos.
Por isso Deus não permite que saibamos do dia de amanhã. Porque faríamos tudo diferente, e - talvez - ficaria tudo igual.
É simples: é que, às vezes, ele pode ser surpreendente e/ou aterrorizante.
Eu ficaria mais covarde de saber de todos os desafios que passaria, ou mais corajosa de saber que eu venceria a todos eles.
Ficaria desesperada de saber que deixaria minha religião, a qual tinha como a mais perfeita e a verdade absoluta, mas ficaria aliviada de saber que descobriria assim quem realmente sou e que Deus não está na igreja, está em mim.
Choraria por saber das dores que viria a sentir por amor, das tristezas que passaria. Mas sorriria por saber que isso me preparou para momentos muito bons, e quem sabe, para coisas que são tão boas que não acreditaria que existem.
Eu talvez fosse mais reservada por conta das pessoas em que confiei e trairam minha confiança, aquelas que chamei de amigas mas que jamais o foram... mas, por outro lado, talvez fosse mais franca com aqueles que poderia ter ajudado com um simples dizer: "cuidado". E teria aprendido antes a confiar não nas palavras, mas no olhar.
Eu seria menos tensa com aqueles pequenos problemas do dia-a-dia, com aquelas coisas que aborrecem mas que conseguiram exterminar com o meu dia... mas daria mais importância aos pequenos momentos, e teria começado antes a olhar bem no fundo dos olhos.
Por isso Deus não permite que saibamos do dia de amanhã. Porque faríamos tudo diferente, e - talvez - ficaria tudo igual.
VOLTEI
Voltei!
Depois de longo tempo, voltei.
Demorei porque precisava conhecer melhor uma pessoa: eu.
Mas agora estou de volta.
Apaixonada por mim mesma e pronta para o resto todo.
Abandonei meu lado 100% questionador por alguns minutos, e deixei voltar à tona a minha sensibilidade. Porque acho que quem se petrifica não pode escrever.
Aflorei a sensibilidade, me permití escrever textos, artigos e poesias novamente.
Resultado disso é a felicidade, e uma série de novas músicas que compús. Até uma pedra me faz compor.
Bem, voltei.
Depois de longo tempo, voltei.
Demorei porque precisava conhecer melhor uma pessoa: eu.
Mas agora estou de volta.
Apaixonada por mim mesma e pronta para o resto todo.
Abandonei meu lado 100% questionador por alguns minutos, e deixei voltar à tona a minha sensibilidade. Porque acho que quem se petrifica não pode escrever.
Aflorei a sensibilidade, me permití escrever textos, artigos e poesias novamente.
Resultado disso é a felicidade, e uma série de novas músicas que compús. Até uma pedra me faz compor.
Bem, voltei.
terça-feira, junho 28
So many times
Essa música quando toca na pista é tudo...
---
So many Times
(Gadjo)
So many times, I’m watchin' you
And I fell in love
in love with you
So many times... so many times...
You go out every night
tryin' to find a perfect love
you've lost the faith in yourself
you've fallen down in loneliness
The world is full of magic, can't you see
I'm your guardian angel, trust in me
So many times I've been watching you
and now I fell in love with you!
So many times I'm watching you
and now I fell in love with you
So many times... so many times... (repeat)
Do your heart, feel so lonely
think about your sweetest dream
close your eyes, and follow me
and I'll take you to my destiny
I'm thinking about you, all the time
when I keep my love to you, that's a crime
so many times I've been watching you
and now I fell in love with you!
So many times I'm watching you
and now I fell in love with you
So many times... so many times... (repeat)
---
So many Times
(Gadjo)
So many times, I’m watchin' you
And I fell in love
in love with you
So many times... so many times...
You go out every night
tryin' to find a perfect love
you've lost the faith in yourself
you've fallen down in loneliness
The world is full of magic, can't you see
I'm your guardian angel, trust in me
So many times I've been watching you
and now I fell in love with you!
So many times I'm watching you
and now I fell in love with you
So many times... so many times... (repeat)
Do your heart, feel so lonely
think about your sweetest dream
close your eyes, and follow me
and I'll take you to my destiny
I'm thinking about you, all the time
when I keep my love to you, that's a crime
so many times I've been watching you
and now I fell in love with you!
So many times I'm watching you
and now I fell in love with you
So many times... so many times... (repeat)
quarta-feira, junho 8
Hey ya...
Olá!
Cara, mil coisas. Uma das coisas mais bacanas: fiz uma caminhada show de bola em meio à vegetação de mata atlântica, lá no Parque Nacional de Itatiaia.
9 km de caminhadas, trilhas, diversão e banhos congelantes de cachoeira. Tudo o que eu precisava pra colocar meu astral lá em cima. ;)
As fotos vcs podem ver no meu fotolog
Além disso, findis com amigos, diversão, chopp (brigada pela recomendação, normando!), música e afins. Tudibom. ;)
Musiquinha rox que adoro tocar no violão, a de baixo. Boa semana a todos!
Cantada (Depois de ter você)
Adriana Calcanhoto
Parampapampapampapampapampá(4x)
Depois de ter você,
Pra que querer saber... que horas são?
Se é noite ou faz calor... se estamos no verão...
Se o sol virá ou não...
Ou pra que é que serve uma canção, como essa?
Depois de ter você, poetas para quê?
Os deuses, as dúvidas...
Pra que amendoeiras pelas ruas?
Para que servem as ruas... depois de ter você?
Depois de ter você,
Pra que querer saber... que horas são?
Se é noite ou faz calor... se estamos no verão...
Se o sol virá ou não...
Ou pra que é que serve uma canção, como essa?
Depois de ter você, poetas para quê?
Os deuses, as dúvidas...
Pra que amendoeiras pelas ruas?
Para que servem as ruas... depois de ter você?
Cara, mil coisas. Uma das coisas mais bacanas: fiz uma caminhada show de bola em meio à vegetação de mata atlântica, lá no Parque Nacional de Itatiaia.
9 km de caminhadas, trilhas, diversão e banhos congelantes de cachoeira. Tudo o que eu precisava pra colocar meu astral lá em cima. ;)
As fotos vcs podem ver no meu fotolog
Além disso, findis com amigos, diversão, chopp (brigada pela recomendação, normando!), música e afins. Tudibom. ;)
Musiquinha rox que adoro tocar no violão, a de baixo. Boa semana a todos!
Cantada (Depois de ter você)
Adriana Calcanhoto
Parampapampapampapampapampá(4x)
Depois de ter você,
Pra que querer saber... que horas são?
Se é noite ou faz calor... se estamos no verão...
Se o sol virá ou não...
Ou pra que é que serve uma canção, como essa?
Depois de ter você, poetas para quê?
Os deuses, as dúvidas...
Pra que amendoeiras pelas ruas?
Para que servem as ruas... depois de ter você?
Depois de ter você,
Pra que querer saber... que horas são?
Se é noite ou faz calor... se estamos no verão...
Se o sol virá ou não...
Ou pra que é que serve uma canção, como essa?
Depois de ter você, poetas para quê?
Os deuses, as dúvidas...
Pra que amendoeiras pelas ruas?
Para que servem as ruas... depois de ter você?
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