"Cada qual sabe amar a seu modo; o modo pouco importa; o essencial é que saiba amar." (Machado de Assis)

quarta-feira, julho 26

É estranho amadurecer

(para Wagner, Rodrigo, Jéssica e Mariana)

Conforme os anos vão passando, continuamos exatamente os mesmos, mas somos moldados dia a dia na forja da vida. É estranho amadurecer.

Continuamos as mesmas crianças que sempre fomos, no entanto somos obrigados a conviver e aprender com as delícias e dores de sermos adultos. A cada ano que passa, observamos o mundo de uma forma diferente, lemos os mesmos livros da vida com olhares completamente novos, criamos novos sonhos e destruímos outros tantos que a realidade nos faz perceber distantes ou inadequados.

Os anos passam e aquelas pessoas que sempre pensamos que estariam ali simplesmente se vão. Mais uma chama de vida apagada, que virou apenas história. Os nossos amigos seguem seus rumos, mudam de cidade, de país, passam a ser pessoas completamente desconhecidas, diferentes, alteradas...

... Mas tão desprotegidas e frágeis como sempre foram.

Quando crianças brincamos de casinha. Quando adultos, a casinha se torna uma família de verdade, vira responsabilidade para o terceiro expediente. As bonecas fofas tornaram-se filhos que cresceram e se tornaram adolescentes, trazendo a preocupação diária da prova-dos-nove da educação que se deu: será um bom aluno? está em segurança? será que sabe o que está fazendo?

O jogo de tabuleiro vira um leque de decisões que você precisa tomar.

Os bonecos cresceram. Os meninos brincavam com os seus rambos e fortes apaches. Hoje vão para o Iraque, o Líbano, ou permanecem em seus países lutando para ter uma vida digna. Os meninos andavam de bicicleta competindo quem era mais rápido, hoje competem no mercado de trabalho para ver quem é o melhor.

Os jogos de cartas se tornam regras sociais, onde é preciso conhecer todas para não ser jogado no ostracismo.

As pipas são nossos sonhos, que dirigimos e mantemos voando por uma finíssima linha - e basta esta linha estar no caminho de alguém para que esse alguém possa lhe cortar, e seu sonho assim se vai.

Você se torna o pião, que dependendo de como seja rodado, se mantém de pé ou simplesmente pára de rodar.

A vida real não nos permite ensaios. A vida real não nos permite erros sem que hajam consequências. Mas ainda somos os mesmos. A mesma criança que precisa de proteção.

Alguns entendem a importância e a estranheza do que é amadurecer, e procuram fazer o melhor possível, dosar seus passos para não errar, desejam construir uma vida sólida, racionalizar seu destino, ou ao menos passar por ela da forma mais leve e bonita possível.

Outros continuam achando que é tudo um prolongamento da infância que todos temos dentro de nós. Constroem famílias acreditando que tudo ainda é muito fácil (basta guardar os brinquedos quando enjoar deles), ou brincam de guerra achando que no final tudo estará igual - mandam tropas e mísseis para outro território como se estivesse jogando War no Natal com seus primos, e depois bastará recolher as fichas e guardar o tabuleiro.

Definitivamente é estranho amadurecer. Talvez mais estranho seja perceber-se a mesma criança, cercada por um mundo tão confuso.

terça-feira, julho 11

Segurança Pública - opiniões

Bem... chegamos ao final de copa, e agora o Brasil volta a pensar na própria vida ao invés de pensar naqueles "filhos da pátria amada" que estão milionários e vão morar fora do país.

Acredito que por toda essa aura que circunda Rio e São Paulo ultimamente - os dois maiores colégios eleitorais do país - um dos assuntos que será carro-chefe das propagandas eleitorais será a (in)segurança pública.

Ontem eu recebi uma suposta entrevista do Marcola (o "bandidão" da vez), que eu já imaginava não ser verdadeira, mas que depois me informaram que é uma provocação do Jabor. Enviei para alguns amigos para ver qual seria a reação. Alguns são de São Paulo, outros do Rio mesmo, alguns do Nordeste e do Sul. Absolutamente todos reagiram de forma idignada e me devolveram o email comentando sobre o enviado.

Mas, de todos os que recebí, estes me chamaram mais atenção:

O primeiro que recebi foi de um amigo que disse que o criminoso, tendo a oportunidade de ler 3000 livros (conforme foi citado na suposta entrevista), um dia se iluminaria e perceberia que está no caminho errado e seguiria o caminho do bem. Sinceramente não acredito nessa hipótese. Não que seja pessimista, na verdade não sou nem pessimista e nem otimista, procuro ter a visão mais realista possível. Acontece que estas pessoas não podem perceber outro caminho... porque para elas o único caminho que existe é o do crime. E, por mais que leia na prisão, toda a visão será deturpada para a realidade em que *aquela* pessoa está inserida. Talvez seja possível... sim... ms acredito ser uma visão um pouco romântica dessa grave situação.

Outro amigo me fez a importantíssima constatação de que parte da culpa é nossa, porque elegemos nossos representantes conforme os interesses próprios - e haja espaço para "chiquinho da pipoca", "cicraninho da van" e "joãozinho do ferro-velho" por aí. Isso realmente é fato. E até nós, o povo, favorecemos essa existência, quando vendemos nosso vergonhoso voto por uma camiseta.

Completando essa segunda opinão, uma terceira amiga foi mais além: disse que seria necessário que essa violência toda chegasse às classes mais altas para que sentíssem o efeito de tudo isso. No momento em que o César Maia tiver seu filho sequestrado, no momento em que o ACM tiver seu neto morto (na verdade isso seria o paraíso), talvez eles pensassem melhor em investir na Segurança Pública. Certamente ela está correta. Mas a pergunta que me faço é: não seria tarde demais? Quantas vidas perdidas seriam necessárias até que chegássemos a este ponto?

Mas o ponto final das opiniões mais interessantes que recebi foi a de um amigo que me disse: o problema não é o fato de termos Congressistas facilitando a vida do tráfico, mas de termos o tráfico representado no Congresso.

Faz todo sentido. Infelizmente, nos habituamos a termos bancadas de direita e de esquerda, bancada dos ecologistas, bancadas dos evangélicos, bancada dos deficientes... e agora temos as bancadas dos corruptos: sanguessugas de um lado, mensaleiros de outro, traficantes mais atrás. E absolutamente TODOS impunes e atuando ativamente na casa dos "300 Picaretas com anel de Doutor".

A pergunta que me faço é: acaso não deveria haver uma ÚNICA bancada no congresso: a bancada do POVO? Acaso todos não deveriam pensar juntos em soluções para a vida de TODOS? É um sonho distante...

Na minha opinião, o que acontece é que existe uma FALTA DE INTERESSE público para que o problema da segurança pública seja efetivamente dissolvido. Existe uma motivação maior do que esta, que é a boa e velha fórmula "angariar votos e se reeleger, para mamar nas tetas da grande mãe por mais quatro anos". Não falta apenas ética... falta ética, moral, vontade, preparo, sensibilidade social.

O Governo - em todas as suas esferas - se encontra mais comprometido de fazer publicidade, para que possa ser reeleito ou eleger seu sucessor. E aí vemos propagandas como "O Rio dar a volta pra cima", propagandas do governo federal, etc. Quanto será que investimos em propaganda? Será que seria suficiente para reequipar toda a polícia? Ou ao menos aumentar o vergonhoso salário da Polícia Militar?

E, enquanto isso que temos hoje for o pensamento vigente em nossa política, o Brasil não tem solução. E o último que sair, apague as luzes.

terça-feira, maio 9

Complexo de Tio Patinhas

Assino algumas listas de email de economia, política, debates e afins, e lí hoje um artigo muito interessante sobre os governantes mais ricos do mundo.

Algumas pessoas comentaram sobre isso, riram dos paradoxos, mas deixaram passar desapercebidos alguns detalhes... mas se formos pensar nos dados e não apenas ler como "cultura geral", podemos tirar várias conclusões... vale a reflexão.

Conforme o artigo que menciona a revista Forbes, os dez governantes mais ricos do mundo são:
1) Rei Abdullah Bin Abdelaziz, Arábia Saudita - US$ 21 bilhões
2) Sultão Hassanal Bolkiah, Brunei - US$ 20 bilhões
3) Xeque Jalifa Bin Zayed al-Nahyan, E. Árabes - US$ 19 bilhões
4) Xeque Mohamad ben Rashid Al-Maktoum, Dubai - US$ 14 bilhões
5) Príncipe Hans-Adam II, Liechtenstein - US$ 4 bilhões
6) Príncipe Alberto II, Mônaco - US$ 1 bilhão
7) Presidente Fidel Castro, Cuba - US$ 900 milhões
8) Presidente Teodoro Obiang, Guiné Equatorial US$ 600 milhões
9) Rainha Elizabeth II, Reino Unido US$ 500 milhões
10) Rainha Beatriz Wilhelmina Armgard, Holanda US$ 270 milhões

A primeira coisa que me chamou a atenção nesta afortunada lista foi a quantidade de países árabes que estão inseridos aí. Obviamente, tanta riqueza vem do "ouro negro" que emana pelo lado de lá. Isso aí não é surpresa nenhuma, e não importa o quanto o Xeque ou o Emir queira não ser rico (imaginemos que alguém não queira ser... suposição mesmo), ele simplesmente o é porque tem petróleo. Isso é fato. O que por um lado é muito ruim e pode se tornar dramático, porque a maioria estamos pautando grande parte de nossas economias em uma fonte de combustível finita, que será extinta mais cedo ou mais tarde.

A segunda impressão que tive foi a diferença de quantidade de citações entre os regimes: monárquicos, presidencialistas e fundamentalistas. A excessão do rei saudita, todos os países árabes citados são fundamentalistas, em regimes em que se tem considerável grau de apoio popular mesmo sem uma completa distribuição de renda. No entanto, regimes fundamentalistas estão muito mais expostos a guerras religiosas, confronto de facções e problemas gerados pelo fanatismo religioso local - o que os deixam longe de ser um regime e um povo traquilos.

Mas o que me chamou atenção mesmo foi que o sistema monárquico dos países citados, apesar de tudo, são de países muito desenvolvidos, enquanto os presidencialistas que aparecem na lista são países que tem grande parte da população vivendo na linha da pobreza ou abaixo dela - e mesmo assim seus governantes estão milionários.

O caso de Cuba acredito ser mais que conhecido, população pobre, embargo econômico, discussões com os EUA e problemas com diplomacia. O Presidente Fidel - que teve sua riqueza atribuída especialmente ao seu vínculo com a indústria farmacêutica - reclamou, disse que é uma infâmia, que tomariam ações legais contra as "acusações" (?), etc. Aliás aí cabem mais dois pontos: o primeiro é que, por acaso (?), Cuba é conhecida mundialmente pela sua medicina (que na verdade não é acessível a todos os cidadãos, mas aos abonados americanos especialmente) e não tão por acaso assim vale muito a pena investir no setor farmaceutico lá pelas terras do Fidel. O segundo ponto é que o presidente cubano está como presidente a mais tempo do que eu me conheço por gente - quase uma monarquia, pra falar a verdade.

Já os da Guiné Equatorial, a 13ª pior expectativa de vida do mundo mas a 5ª maior produtora de petróleo do mundo, não é tão conhecido assim. Segundo os dados do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), tem o setor de saúde pública como o 12º pior do mundo, e o de educação inferior ao do Brasil - Guiné Equatorial é o 108º no ranking, que engloba 177 países. No entanto, o país teve o maior crescimento de PIB per capita (16,2%) e de IDH no período de 1990 a 2003, período analisado pela pesquisa. Vale lembrar aos desavisados que o PIB per capita é apenas "matemático", não é necessariamente distribuído.

É engraçado também quando temos a impressão de que justamente nos países presidencialistas os índices de corrupção são mais altos do que em outros sistemas de governo - até mesmo pela divisão do poder ser bem mais ampla. No entanto, isso vai exatamente contra a proposição do governo presidencialista, que é de distribuir melhor as riquezas - materiais e imateriais - do país entre seu povo, de forma democrática e igualitária.

Não quero fazer constatações sobre estes dados e tampouco afirmo que esse seja o único sintoma sobre a relação entre distribuição de renda e fatores sociais, e também neste caso específico o regime político (não chego a ter conhecimento ou "gabarito" suficientes). Mas é importante vermos uma notícia como essa e pararmos pra pensar no todo, no mar de coisas que vem por trás da mera curiosidade de um ranking de ricos e famosos.

As conclusões ficam por conta de vocês. ;)

quinta-feira, abril 6

Pizza mais uma vez...

E mais uma vez, acaba em pizza o julgamento de um acusado de ser "beneficiado" pelo mensalão.

O pior de tudo foi escutar e ler uma justificativa de um dos "colegas" do réu... ele foi inocentado porque "sempre foi uma pessoa que ajudou aos demais colegas, que foi um 'bom' presidente,, que sempre colaborou com os trabalhos na Casa", etc.

Eu DETESTO com todas as minhas forças o eixo PMDB-PSDB-PFL, mas se isso não foi um acordão (que inclui esse eixo, afinal ele foi inocentado por quase 300 votos), eu troco meu nome para Jupira.

Então tá combinado assim... o amigo do meu amigo é meu amigo, mesmo que ele seja corrupto, esteja prejudicando a moral de uma Casa inteira, que esteja descaradamente roubando a população nacional e tudo o mais... até porque, quando tiver eleição, o povo já se esqueceu de tudo.

Quando Herbert Vianna cantou "Luiz Inácio e os 300 picaretas", Lula estava do outro lado... era 'Luiz Inácio CONTRA os 300 picaretas'. Agora é realmente 'Luiz Inácio E os 300 picaretas'... porque o Lula não apenas não sabe de nada como continua sem se manifestar contra essa falta de decoro que é a absolvição de deputados tecnicamente envolvidos em corrupção ativa e passiva.

Se o Lula pecou antes por não denunciar, esse foi o menor dos pecados. O maior de todos é o que comete agora: continuar sem querer se envolver ou pelo menos repudiar o que está acontecendo no meio do Congresso Nacional. No melhor estilo "não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe".

terça-feira, abril 4

Affff....

... alguém merece ter uma crise de bronquite a noite e acordar com sinusite???

(respondo: nem meu pior inimigo merece...)

segunda-feira, abril 3

O Orkut mudou minha vida

Eu posso dizer que o Orkut mudou minha vida, ou me ajudou a mudar. Nesse sitezinho que é quase que unanimidade entre os internautas, eu reencontrei pessoas e conhecí outras tantas, as quais fazem parte da minha vida - seja do passado, do presente ou do futuro.

É muito estranho e até engraçado olhar para trás e ter a sensação de que sua história é realmente uma história, que parece até uma vida de alguém que não você. Parece algum conto da vida alheia, coisas que alguém comentou, que simplesmente passaram.

Mas aí vêm essas pessoas que sumiram e simplesmente estão de volta, aparecem como que por mágica lembrando da história em comum com carinho, e trazendo toda a bagagem, todo o passado, toda a alegria e tristeza da lembrança de algo que passou e se tornara apenas... uma história! E então, você lembra que aquilo tudo não são simplesmente páginas de diário rabiscadas, aquilo é tudo foi vivido por você, é o que você é, o que te fez ser o que é hoje, o que um dia você viveu.

Olhando bem ao redor, vemos o mundo e as pessoas em geral passando por uma fase em que procuramos a todo o tempo resgatar um "eu" que ficou esquecido, que ficou para trás na correnteza da vida, reencontrar pessoas que fazem parte da minha história é realmente tudo o que eu queria: elas se lembram do meu verdadeiro eu, não este que foi moldado na forja da vida. E esse reencontro com o passado traz em mente que é preciso mesmo retomar, de onde paramos, a nossa trajetória.

Em algum dia do passado, deixamos de ser quem somos para ser quem precisam que sejamos e isso hoje, pessoalmente falando, me mostra o quanto foi válido - mas também me mostra do tudo que eu tive que abrir mão. E isso, nem sempre é confortável para quem sente. Na minha "Trajetória do Louco", talvez eu esteja na carta da morte... tempo de transformação, tempo de mudança. Isso justifica muita coisa do que tenho sido atualmente - introspectiva, encolhida, quieta... optando por estar só em muitos momentos.

É... o Orkut mudou minha vida e acho que a de muitas pessoas também. Muito bom reencontrar essas pessoas. Espero não deixá-las para trás, nunca mais. :)

sexta-feira, março 31

Riso e Sorriso

Existe uma diferença que pouca gente sabe perceber entre quando uma pessoa dá um riso e um sorriso. Um riso é muito mais comum que um sorriso.

O primeiro, podemos ver sempre nas pessoas. O segundo, é artigo em extinção.

Um riso é remédio, como diria o ditado. Muitas vezes é sincero, mas pode ser apenas externo, feito para demonstrar simpatia, aprovação ou contentamento, mesmo quando nossa alma está em frangalhos. A gargalhada manifesta graça por algo que se diz ou que se escuta, o riso é a manifestação externa do que pensamos naquele momento. É fácil rir, é fácil retribuir uma risada. Em alguns casos, o riso é uma boa moeda de troca; em outros, uma saída rápida. O mais deprimido de todos pode dar uma boa risada enquanto lê uma piada engraçada ou se um amigo lhe disser uma grande besteira. O riso é estado de satisfação, mesmo que momentanea ou menos sincera.

Já um sorriso não; o sorriso é um espelho do estado da alma. Quando uma pessoa sorrí, todo seu corpo sorrí ao mesmo tempo, porque é sua alma - e não sua face - quem está sorrindo. Quando alguém sorrí do outro lado do telefone, nós sabemos mesmo sem ver; se alguém sorrí para você quando você está abatido, esse sorriso aquecerá sua alma e dará forças para que você se levante. Quando vê um amigo que não vê a anos, você sorrí por sentir tanta alegria. Os pais sorriem para as crianças que caem em seus primeiros passos; os animais sorriem quando ganham um afago do dono; os amigos sorriem porque nos preocupamos demais com algo que fatalmente perceberemos que é uma besteira enorme.

Um sorriso acalenta a alma e mostra nossos sentimentos.

O riso alegra um dia e alivia um ambiente.

Na verdade, não paramos para prestar atenção nessa diferença porque geralmente nós não paramos para conhecer as pessoas que estão conosco. Somos capazes de conviver toda uma vida com pessoas sem que vejamos um sorriso em seus rostos, ou que possamos identificá-lo. Mas basta pensar em você mesmo para perceber: quando você beija o amor da sua vida, você rí?

...ou você sorrí?

quarta-feira, março 29

Meu voto é nulo

- O que esperar de um país como o Brasil?
- Que "país do futuro" se submete aos desmandos das elites financeiras?

Essas duas perguntas tenho me feito a dias, com toda essa movimentação de sai ministro Palocci, entra ministro Mantega. Mas ficou muito mais forte de ontem para cá.

Eu assisto o Bom Dia Brasil diariamente e quase soltei fogos de artifício quando escutei o Ministro Mantega dizendo que é precisamos lidar de forma civilizada com a nossa política monetária - sobretudo as taxas de juros indecentes. Cheguei a pensar "Nossa, será que aos 45 minutos do segundo tempo a coisa vai começar a mudar de verdade???".

Ledo engano de uma sonhadora.

É vergonhoso pensar que eu votei em um candidato que me dizia que ia mudar tudo, e que chega lá e edita uma medida provisória pra distribuir poderes na melhor forma maquiavélica de "dividir para conquistar": dividir o poder entre várias pessoas faz com que a instabilidade seja diluída igualmente. Dar o poder a um banqueiro e praticamente desautorizar um ministro recém-empossado não é o que esperava de um operário-sofredor-que-chegou-lá. Minha indignação não tem fim. Estava conversando ontem exatamente sobre ser impossível separar economia do tradicional problema de classes, e no Brasil esse problema - tal como o modelinho neoliberal imposto e bem aceito - é, na prática, completamente ignorado como se a economia pudesse melhorar só porque o mercado financeiro quer (aliás, não me lembro do mercado financeiro querer melhorar nada, trabalham apenas no ditado "A farinha é pouca? Meu pirão primeiro!").

E, por tudo isso e por pensar que as alternativas que tenho são votar no PMDB, no PSDB ou no PFL (infelizmente, o resto todo é irrisório ainda), é que meu voto até agora é nulo. É desesperador para uma pessoa que acompanha, com real interesse, o desenvolvimento de seu país pensar que todas as alternativas são essas. Difícil engolir Garotinho, Alckmin e sua trupe. Ou votamos em populistas, ou votamos em versões modernas dos antigos coronéis.

Mas também me recuso a votar em um dos "menos pior" de todos. Me recuso a acreditar que tudo vai mudar se eu votar de novo no Lula - e espero que, aqueles que confiaram no FHC para o segundo mandato, não cometam o mesmo erro. Ao meu ver, já foi mais que provado que Lula não tem o mínimo interesse em mudar um país - desde que continue andando de jatinho, usando ternos caros e conhecendo o mundo, nada mais importa.

Olhar para o horizonte e não ver pespectiva de uma efetiva justiça social e de um governo realmente interessado em resolver todos os problemas (que não são poucos) de um país de dimensões continentais é, no mínimo, angustiante. Pensar que é em vão tudo o que alguns grupos e minorias fazem para melhorar algo no país do Mensalão e da impunidade é realmente um desalento.

São nessas horas que me envergonho de ser brasileira. Se fosse na Argentina, o mais leve de todos os protestos seria um forte panelaço. Mas como o JK levou Brasilia pra longe...

terça-feira, março 28

Somos pássaros

As pessoas estão carentes, mais carentes do que nunca. Não passando por privações materiais, não carentes de dinheiro ou de bens, mas carentes de carinho, atenção, amizade, amor. Por todo lugar onde olhemos, encontramos pessoas desesperadamente carentes de afeto, em todas as suas formas e nuances. Precisamos de pessoas que caminhem juntos de nós.

As pesssoas estão carentes de alegrias. Por onde elas passam, o que encontram são problemas 'insolúveis' aguardando solução, pessoas precisando de favores e depois abandonando-as, tristezas profundas aguardando o esquecimento. Olham para o horizonte e, cada dia mais, tentam se conformar que o futuro não há de ser nada além daquilo; todas as esperanças e aquele sentimento de que 'somos muito especiais' e que 'vamos fazer a diferença' se foram, e em seu lugar fica o olhar triste e calejado de quem passa a acreditar que aquilo tudo foi uma ilusão de infância. As pessoas estão carentes de pessoas. Mas não de pessoas numericamente falando, mas de pessoas humanas ao seu lado, com sentimentos semelhantes, de amigos sinceros, de amores verdadeiros.

A sociedade exige e nós cumprimos: tudo parece que fica estagnado num oceano tranquilo, sem ondas, numa calmaria sem fim - no entanto, só ela mesma é quem conhece as correntezas que passam no lugar mais profundo, naquele cantinho escondido entre corais e tanta vida marinha. Ela sabe que dentro dela tudo é diferente, e por mais que seu externo aparente ser uma pessoa digna de causar olhares admirados ou mesmo inveja, em seu interior existe um turbilhão de sentimentos, de angústias e de mágoas. E assim criamos uma parede para nos proteger - afinal, no final das contas, não queremos ser conhecidos pelo que somos no interior.

Em uma vida quase claustrofóbica, nos recolhemos dentro de uma casca, tal como a tartaruga que, com medo, se esconde... não queremos ser atingidos por mais nada, apenas queremos ficar em nossos cantos... enquanto, intimamente, ficamos rezando todos os dias para que alguém venha e abra à força a casca, que a tire de lá e que mostre que o mundo realmente é aquilo que sempre se acreditou que fosse - e que as pessoas são boas.

De toda essa carência, de todo esse recolhimento, nascem relacionamentos transtornados. Amigos que invadem, amores que dependem, contatos que sugam. Famílias que usam-lhe de muletas, inimigos que acabam se encontrando no rival e multidões inteiras de solitários lado a lado.

Mas, na verdade, nós somos pássaros ensinados que ser tartaruga é o que é bom. E o que se faz hoje em dia é cortar a própria asa, e cortar a asa das pessoas ao nosso redor, para que nenhum vôe. Todos devem fincar seus pés no solo e inventar uma casca para ficar parecido com a tartaruga, e assim ter a segurança de estar em terra firme.

Mas, em nosso interior, sabemos que somos pássaros. Devemos voar. Os tombos fazem parte de tudo, e é o que dão prazer maior, pois o gosto da vitória é indescritível. Sabemos que para sermos feliz, devemos voar, e voar juntos. E para voar junto, devemos estar livres - jamais no solo, dentro de uma casca, mas sim tendo nossas asas em perfeito estado, abandonando a segurança do solo, chegando em um penhasco e pulando. Apenas tendo a certeza que nossas asas irão suportar nosso vôo e arriscando os primeiros tombos é que nossas asas ficarão fortes, e é nesse momento em que passaremos a planar não com o desespero das asas cortadas, mas com a elegância de quem já passou pelo pior.

Agora com licença que vou ver se as minhas penas, que aparei a tempos atrás, cresceram mais um pouco.

Voltando

Decidí voltar a escrever aqui.

A decisão simplesmente é porque o blog vai muito além da terapia, ele é uma forma de você colocar à mostra as coisas que precisam ser ditas.

Então... estou de volta. :)

segunda-feira, dezembro 26

Feliz Natal!!!

Não, este não é um post de natal atrasado, porque acredito que comemoramos o Natal o ano inteiro.

Para os cristãos, ontem foi Natal. Para os judeus, Chanuká. Para os pagãos, foi solstício. Não importa. O mais bonito de tudo é quando percebemos que todas as religiões são apenas uma só. Tudo é uno. Deus é único. Todas as crenças são apenas uma. E todas são lindas. E todas os natais, festas santas e tudo o mais tem a mesma finalidade - no mesmo ou em outro dia.

É quando aprendemos que Deus é único - mas se veste de muitas formas. E descobrimos o significado da palavra Onipresença.

Portanto, feliz Natal, Yule, Chanuká, etc. E que o(s) seu(s) Deus(es) lhe ilumine!

segunda-feira, dezembro 19

"Ouse, ouse... ouse tudo!!
Não tenha necessidade de nada!
Não tente adequar sua vida a modelos, nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém.
Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.
Se você quer uma vida, aprenda ... a roubá-la!
Ouse, ouse tudo!
Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer.
Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso: algo que está em nós
e que queima como o fogo da vida!!"

(Lou Salomé)
Nossa, a muito tempo que não posto nada por aqui... mas, aparentemente, estou de volta.
A faculdade consumiu completamente meu intelecto esse semestre, para eu dar conta de tanta matéria e de tanta leitura. Pra ter uma noção, apenas em novembro eu tive que ler sete livros. Foi duro, mas sobreviví... apenas em uma matéria não tenho certeza ainda se consegui passar.

Ultimamente eu tenho flertado com a filosofia. Tudo começou porque ganhei um livro de aniversário, o "Quando Nietzsche chorou". Pronto. Paixão à primeira vista. Apenas confirmei que, quando ainda adolescente, pensava em fazer Filosofia (só não o fiz pois gosto demais de dinheiro pra trabalhar em algo não tão bem remunerado).

Mas uma frase que lí recentemente, de Lou Salomé, me tocou particularmente: "Se você quer uma vida, aprenda ... a roubá-la!"

Pronto, se instalou um motivo para uma longa reflexão.

Alguém disse um dia que a nossa vida pertence a Deus. Outro alguém disse que a nossa vida pertence a nós mesmos. Não! Ela não nos pertence enquanto não a roubarmos. Ela pertence ao tempo, até que aprendamos a tê-la em nossas mãos. Precisamos enfrentar o tempo, a sociedade, os ditos e as regras.

Liberdade é andar sobre as regras, e precisamos de coragem para sermos livres. Porque a liberdade nos trás a verdade, e a verdade fere, machuca, amedronta.

Fugindo do clássico, a primeira reflexão que fiz sobre isso foi com Renato Russo: "Quem pensa por sí mesmo é livre, e ser livre é coisa muito séria". Filosofia para adolescentes? Talvez.

Mas só quem é livre sabe o quanto é sério, perigoso, assustador e cansativo sê-lo.

sexta-feira, outubro 21

Eu escrevo

Eu escrevo não para mostrar pensamentos
Mas para mostrar quem sou
Para expurgar sentimentos
Para sentir em que lua estou

Eu escrevo não para ganhar elogio ou aprovação
Mas para jogar no ar palavras
Para deixar tudo às claras
Para mostrar meu coração

Eu escrevo não para pessoas conquistar
Mas para levar idéias para além-mar
Para atrair outras almas e para aproximar
E para dividir meu pesar

Mas eu escrevo, antes de tudo,
para mais me amar.

quinta-feira, outubro 13

Quem você seria?

Se você estivesse sozinho
Numa encruzilhada, sem placa ou mapa,
Que direção tomaria?
Se você estivesse em um deserto
No meio do nada, sem horizonte,
Como sairia de lá?
E se você estivesse à deriva
No meio do mar, sem ninguém pra olhar,
Como sobreviveria?
E se você estivesse no meu lugar,
Sem motivo nem festa, se nada resta,
Que alegria teria no olhar?
O que você faria no meu lugar
Além de querer que o tempo passe depressa?
Além de pensar que vida é essa
que abandona a gente
No meio da estrada, deserto ou floresta,
Sem farol, sem radar, sem sinal,
sem nada pra te guiar?
Quem você seria, no meu lugar?

segunda-feira, outubro 3

A beleza das coisas

Sábado. Depois de muitos dias de tempo encoberto e chuva no Rio de Janeiro, acordei e tinha um sol maravilhoso, do jeito que todo carioca gosta.

No caminho entre Centro e Botafogo, comecei pensando sobre a imensa preguiça e cansaço que eu sentia. Mas depois, comecei a reparar nas pessoas caminhando no aterro e me dei conta de um erro que vinha comentendo apesar de exercitar para não fazê-lo: não ver a beleza das coisas.

Até hoje me lembro de quando vi pela primeira vez o Aterro do Flamengo, a Praia de Botafogo, quando caminhei sozinha pela primeira vez em Copacabana. Eu, criança, fiquei encantada com toda a beleza que - incrível - sempre esteve tão perto de mim, que morava na zona norte da mesma cidade, mas até então nunca tinha visto ao vivo a Lagoa iluminada à noite.

Hoje, que moro e trabalho próximo a tudo isso, parei de reparar nessa beleza toda. Trabalhar vendo da janela o Pão de Açucar, tendo o Cristo Redentor do outro lado, já não me faz parar para ficar admirando.

Conviver com essa beleza toda, que sutilmente nos lembra que Deus existe, já não chamava mais atenção do que minha rotina desgastante, e eu já não admiro diariamente o que pessoas do mundo todo pagam rios de dinheiro para conhecer. Até que eu tive esse estalo.

E me dei conta que, como tudo, o ser humano se acostuma ao que é bom e acha que é pouco, ou simplesmente ignora o que é bom, para se concentrar em coisas que não o são. É assim com aquela filha que tem tudo o que os pais podem dar e acham pouco, a moça que tem um namorado perfeito mas que ainda assim está insatisfeita "achando que falta algo", aquele profissional que está fazendo o que gosta e ganhando o que é justo, mas que ainda assim está insatisfeito e quer trocar de emprego...

É dom do ser humano ignorar o belo em detrimento do feio.

É mania nossa trocar o adjetivo pelo verbo.

E, na janela do ônibus, olhei apaixonadamente a lindeza do meu Rio de Janeiro. E prometí a mim mesma não me habituar novamente a deixar de ver a beleza... nem na cidade, nem nas pessoas.

segunda-feira, setembro 26

"Não votei porque não votei"

Eu fico impressionada. Tenho evitado ler jornais para não me aborrecer, mas esta foi demais.

Perguntado sobre o porquê de não ter votado nas eleições internas do próprio partido, Lula - o nosso presidente amado - disse sabiamente: "Não votei porque não votei". O tom soava tão importante como se seu sobrinho perguntasse porque você não comeu picolé de limão...

Não sei para vocês mas pra mim tá na cara o porquê... não queria se indispor com nenhum dos lados (nem com o Campo Majoritário, especificamente) e, especialmente, porque quis se colocar acima dessas coisas "mundanas". O PT já é pequeno para ele, agora ele olha como ferramenta o partido. Para não se opor aos "companheiros" e para proteger a própria imagem de arranhões, ele prefere fazer como quem não é com ele???

É incrível como ele ignora solenemente tudo o que está acontecendo. A corja que vendeu o país aos tucanos e aos pefelistas (não sei qual é o pior) está cantando a vitória mais uma vez. Não bastasse as denúncias contra o campo que não era pra ser majoritário a tempos, vem o descaso, como se aquilo pouco importasse. Nossa oposição é suja, o governo está infectado e ele precisa tomar ciência disso e atitudes, principalmente atitudes!!!!

Questiono a política econômica do Lula porque tenho fundamentos que poderíamos estar bem melhores, mas acho que em formas gerais ele faz um bom governo. Mas esse jeito Blazé dele olhar o partido não está combinando. Não dá pra fingir que não é com ele. Não dá pra visualizar uma parede que o deixe tão longe por tanto tempo.

Apenas pra frizar... eu votaria no Lula novamente. Mas ele precisa descer do lustra, sair do pedestal que se colocou para isso. Precisa voltar a estar próximo do povo.

A instituição nacional precisa sim de um líder como ele, mas acontece que precisa também de todo o resto. Precisa de um partido, um congresso, uma nação. Não apenas do líder. E, sinceramente, com o partido, o congresso, a corja-oposição e com a nação que temos, pediria a Deus para ter nascido na Argentina (para vocês verem o tamanho do meu desgosto).

E sobre o PT... graças a Deus eu desisti de me filiar ao PT. Com certeza estaria votando no Pont ou em outro mais radical. Eu, que fui militante na última eleição e fui com camisa, bandeirinha e adesivo do PT, desistí na hora de entregar a ficha.

Sorte... sentiria que meu dinheiro foi jogado fora se não tivesse desistido.

sexta-feira, setembro 23

Ator da própria vida

Eu "descobri" recentemente que o mundo masculino se divide em dois tipos: homens que assistem e homens que fazem.

Muitos preferem assistir a vida dos outros (e o que os outros fazem de interessante) a fazer a própria vida mais aprazível, divertida, coloria e/ou sensual. Preferem ficar acomodados confortavelmente em seus lugares no cinema assistindo a um filme de aventura, a fazer da própria vida uma aventura. Preferem ver a diversão e a sensualidade na TV e na grama alheia, enquanto permite que a própria grama fique menos verde, mais seca por falta do que tanto admira na dos demais.

Preferem manter a felicidade à distância, a diversão à distância, a paixão à distância, a alegria à distância. Preferem ver seus amigos relatando suas aventuras e suas noitadas, a ir eles próprios à luta, atrás daquilo que querem. Ficam sentados na porta de casa esperando que tudo caia em seus colos, enquanto ficam sentados com a cerveja em uma mão e o controle remoto em outra. Enquanto isso, assistem na TV o que gostariam de ver para sí: a vitória em um jogo de futebol, uma profissão bem resolvida, um filme mais apimentado, uma vida mais interessante que a sua própria.

E enquanto ele fica prostrado vendo tudo isso passar - seja na tv, na janela de casa ou em sua própria cara - estão perdendo um tempo precioso: o de pegar o carro e viajar sem destino, o de jogar o futebol com os amigos, o de viver uma paixão arrebatadora, o de ir "pra night" junto com os "amigos grama-verde"... enfim, perdem o tempo vendo acontecer e invejando (mesmo que seja aquela "invejinha" inofensiva) ao invés de fazer acontecer.

Pensando bem, se trocarem os objetos de cobiça, talvez isso bem que se encaixe no "mundico" feminino também. Temos desejos e anseios diferentes, mas acredito que devemos agir da mesma forma. Mas fica a pergunta... porque não fazer acontecer?

Porque não ser o ator da própria vida?

Diálogo

Local: Manoel e Joaquim - Largo do Machado

Cenário: Eu e umas amigas, que me raptaram no corredor do trabalho, para tomar um chopp. Mesa cheia, todas falando sobre besteiras. Depois do sexto chopp, toca o telefone.

- Alô?
- Oi Nina, tudo bem?
- Oi Cesar, tudo legal...
- Tá na faculdade?
- Tou... (!!!)
- Po, tou chegando aí... o cara de EBC vai dar aula?
- Não...
- Espera então que eu tou chegando aí.
- Falou.
Desligo o telefone.
- Garçom, mais um por favor!

... por que diabos eu falei que estava lá não sei. Mas o chopp tava bom. Foi mal Cesar... :P

segunda-feira, setembro 19

I'm melt down

Eu fiz essa música a alguns dias (acho que a um mês atrás), justo no caminho inverso que costumo fazer... primeiro faço a música, depois faço a letra. Essa não... primeiro fiz a letra.

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Melt down


By the sun, in the morning,
I can feel your skin toutching on me
In the night, I run
but I don't know where to,
but I want to bring you to me

You're in everything...

in the lines that I draw,
in the dreams that I saw,
in the love that I feel...
For you, I melt down!

Where tonight I'll find
another pure soul to love?
When in this life, I'll find
another twin soul to give my heart?
I´ll love you for many years...

You're in everything!

In the lines that I draw,
in the dreams that I saw,
in the love that I felt...
For you, I'm melt down!
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