"Cada qual sabe amar a seu modo; o modo pouco importa; o essencial é que saiba amar." (Machado de Assis)

quarta-feira, março 29

Meu voto é nulo

- O que esperar de um país como o Brasil?
- Que "país do futuro" se submete aos desmandos das elites financeiras?

Essas duas perguntas tenho me feito a dias, com toda essa movimentação de sai ministro Palocci, entra ministro Mantega. Mas ficou muito mais forte de ontem para cá.

Eu assisto o Bom Dia Brasil diariamente e quase soltei fogos de artifício quando escutei o Ministro Mantega dizendo que é precisamos lidar de forma civilizada com a nossa política monetária - sobretudo as taxas de juros indecentes. Cheguei a pensar "Nossa, será que aos 45 minutos do segundo tempo a coisa vai começar a mudar de verdade???".

Ledo engano de uma sonhadora.

É vergonhoso pensar que eu votei em um candidato que me dizia que ia mudar tudo, e que chega lá e edita uma medida provisória pra distribuir poderes na melhor forma maquiavélica de "dividir para conquistar": dividir o poder entre várias pessoas faz com que a instabilidade seja diluída igualmente. Dar o poder a um banqueiro e praticamente desautorizar um ministro recém-empossado não é o que esperava de um operário-sofredor-que-chegou-lá. Minha indignação não tem fim. Estava conversando ontem exatamente sobre ser impossível separar economia do tradicional problema de classes, e no Brasil esse problema - tal como o modelinho neoliberal imposto e bem aceito - é, na prática, completamente ignorado como se a economia pudesse melhorar só porque o mercado financeiro quer (aliás, não me lembro do mercado financeiro querer melhorar nada, trabalham apenas no ditado "A farinha é pouca? Meu pirão primeiro!").

E, por tudo isso e por pensar que as alternativas que tenho são votar no PMDB, no PSDB ou no PFL (infelizmente, o resto todo é irrisório ainda), é que meu voto até agora é nulo. É desesperador para uma pessoa que acompanha, com real interesse, o desenvolvimento de seu país pensar que todas as alternativas são essas. Difícil engolir Garotinho, Alckmin e sua trupe. Ou votamos em populistas, ou votamos em versões modernas dos antigos coronéis.

Mas também me recuso a votar em um dos "menos pior" de todos. Me recuso a acreditar que tudo vai mudar se eu votar de novo no Lula - e espero que, aqueles que confiaram no FHC para o segundo mandato, não cometam o mesmo erro. Ao meu ver, já foi mais que provado que Lula não tem o mínimo interesse em mudar um país - desde que continue andando de jatinho, usando ternos caros e conhecendo o mundo, nada mais importa.

Olhar para o horizonte e não ver pespectiva de uma efetiva justiça social e de um governo realmente interessado em resolver todos os problemas (que não são poucos) de um país de dimensões continentais é, no mínimo, angustiante. Pensar que é em vão tudo o que alguns grupos e minorias fazem para melhorar algo no país do Mensalão e da impunidade é realmente um desalento.

São nessas horas que me envergonho de ser brasileira. Se fosse na Argentina, o mais leve de todos os protestos seria um forte panelaço. Mas como o JK levou Brasilia pra longe...

2 comentários:

André disse...

É como eu digo... não tem como comandar um país grande assim com uma política que leva todos para um lugar no meio do nada pra resolver os problemas da minha rua...

Quando descentralizar tudo, TALVEZ haja uma chance de construir um país mais ou menos...

:*

Nina disse...

Talvez se o Brasil fosse um Estado realmente Federativo, né... bjs!

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