"Cada qual sabe amar a seu modo; o modo pouco importa; o essencial é que saiba amar." (Machado de Assis)

segunda-feira, outubro 13

'Pasteurização de gostos': uma observação

Que o mundo está passando por um processo de pasteurização sem precedentes, não é novidade para ninguém. Não seria novidade eu vir em um blog para dizer que, hoje, o diferente fica meio que excluído.

Que celulite é pecado, que a pele tem que ser bronzeada, que cabelo tem que ser liso extremo by escova progressiva, que todos tem que gostar dos mesmos filmes e ler os mesmos livros só porque estão na moda. E eu, que sou loira, de cabelos cacheados, tenho minhas celulites e adoro cinema cult, também adoro questionar as coisas.

 

Meu questionamento hoje é: até onde essa pasteurização dos gostos e jeitos pode ir?

 

Hoje estava almoçando calmamente enquanto olhava uma das vistas mais belas do Rio de Janeiro: o aterro do flamengo abençoado pelo Pão de Açúcar. Enquanto meus pensamentos divagavam pelo mundo, algo me deu um estalo: porque todos os carros que passam no aterro são preto (ou tão escuros que se passam por pretos), prata ou brancos (em menor quantidade)? Claro, tirando os taxis, todos os carros eram pretos/escuros, prata e brancos.

Resolvi contar.

Em pouco mais de meia hora de observação nas pistas do Aterro do Flamengo (que é uma pista de alta velocidade, e por isso mesmo tem fluxo razoavelmente grande de carros), consegui observar quantos eram diferentes disso: 4 carros vermelhos e 2 azuis.

 

Não sei se existe uma correlação, se foi coincidência ou se tem sentido para quem lê, mas o fato é que os carros mais caros eram prata, os maiores (tipo pick-ups, off-roads e afins) eram pretos, e os mais simples, brancos. Já repararam nisso?

 

Então fiquei me perguntando se essa homogeneização chegou até este grau de detalhes – cores de carros. E até onde ela vai.

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