"Cada qual sabe amar a seu modo; o modo pouco importa; o essencial é que saiba amar." (Machado de Assis)

terça-feira, março 22

Momento revolta - Show do Lenny Kravitz (ou Cariocas não são bacanas)

Bom, depois de ontem ter trabalhado que nem uma doida e ter ido pra faculdade assistir uma aula diliça de contabilidade (eitcha), fui eu pra onde?

Show do Lenny Kravitz, live on Copacabana Beach. Uma droga.

Tudo começou no metrô. Um inferno de lotado. O puto do prefeito não colocou linha extra. Um bando de gente suando e fedendo, empurrando. Final de campeonato brasileiro entre flamengo e vasco no maracanã não fazia o que rolou ontem. Eu e minhas amigas saltamos suadas, amassadas e de péssimo humor. Sinceramente, eu me perguntei se eu tava indo pra um show de pop-rock ou se eu tava indo ver a Tati Quebra-Barraco e MC Marcinho.

Saímos do castigo do metrô, pegamos um bus tranquilamente pra praia. Milagre. Saltamos e fomos andando pro lugar do show. Gente. Muita gente. Gente berrando, gente tendo coma alcoólico antes do show dele começar. Gente passando mal. Gente empurrando e passando o tempo inteiro na sua frente. Gente pisoteando e sendo pisoteada. E nada do show começar.

Espera de uma hora. Começa o show. Com chuva. O Lenny Kravitz, com 15 anos de estrada, sem muita presença de palco. A organização foi horrível. Ele cantava uma música, parava dois minutos com tudo apagado, voltava a tocar duas baladas, parava de novo. Todo mundo se perguntava, das primeiras vezes, se ele tinha acabado o show sem dizer obrigado, ou se tinha passado mal.

E garotas no quengo do namorado tomando latadas e garrafadas, porque afinal de contas estavam bem na frente do telão. E gente sem noção com um puta guarda-chuva aberto (ou seria daqueles guardas-sol de praia?), tapando completamente a visão.

E gente que não pára de passar e de empurrar. Acho que tavam querendo fazer um footing bem na hora do show. A hora passando, e a preocupação era não deixarem tocar nas nossas bolsas e não levarem novamente minha recém-comprada carteira - afinal, a guarda municipal do Seu Prefeito e a PM da Esclerosadinha era escassa. Hoje vi no jornal que muitas foram as carteiras que, como a minha, ficaram órfãs de dona. Fomos andando e tentando um melhor lugar. Mas tava dificil. Chegou certo ponto, fomos pra um canto e desistimos de resistir.

Assim, tou sim puta. Mas não por causa do show. O show foi de graça e nem teria falado nada porque afinal ele tocou todas as músicas que todo mundo conhece (e, com excessão da pregação dele, tudo certo).

O problema é que cariocas não são bacanas. Simplesmente não temos educação. Não merecemos determinados tipos de benefícios. Descobri que show na praia só rola bem se for em um povo civilizado - e tudo o que o brasileiro não é, é civilizado.

Esse país merece tudo o que tem: todos os governantes corruptos e maria-vai-com-as-outras, os deputados querendo aumentar salário pra R$ 500.000, merece a Tati Quebra-barraco, merece o Zé do Caixão, merece a Gretchen, merecem o Ratinho e o João Kléber. Porque é um povinho escroto, que não se incomoda em incomodar, que não se preocupa em manter a ordem e civilidade. Quem foi pra se divertir, se estressou. É um povo tão primitivo como os índios do Zimbabue.

Brasileiros são índios. E ainda ficamos ofendidos quando o The Simpsons mostrou-nos como um bando de macacos que fazem tráfico de bananas e mulatas nuas.

Um comentário:

Princess of Pain disse...

Nem teve Lenny Kravitz aqui na Paraiba Land.
De toda forma, espero q pelo menos tenha sido uma experiencia sociologica interessante.
beiju p tu

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